São Paulo: veja como é a visita ao novo mirante Sampa Sky

Aos poucos, o skyline de São Paulo passa a ter o reconhecimento que merece. Até pouco tempo, os lugares para ver a megalópole do alto limitavam-se ao Farol Santander, o Prédio Martinelli e, mais recentemente, o Sesc Paulista e o Instituto Moreira Salles. Agora, o edifício Mirante do Vale soma-se ao elenco com o Sampa Sky, que pude conhecer uma semana antes da abertura oficial no dia 8 de agosto.

Cheguei à Praça Pedro Lessa na tarde de uma quinta-feira e não tive dificuldade em parar o carro. Há pelo menos três opções de estacionamentos no entorno do Mirante do Vale, mas não faça como eu, que acabei indo no mais caro: R$ 18 por menos de duas horas na Avenida Prestes Maia. Contornando a praça, os dois estacionamentos da Rua Brigadeiro Tobias cobram preço fechado de R$ 15 e R$ 13. Para quem vai de metrô, a estação mais próxima é a São Bento (Linha 1-Azul). A República (Linhas 3-Vermelha e 4-Amarela) também é uma opção, mas requer uma caminhadinha de uns 15 minutos (é preciso dizer: o Centro não está em seu melhor momento, então se você costuma frequentá-lo uma vez no ano ou quase, prefira descer na São Bento, que é praticamente ao lado do Mirante do Vale).

O acesso pode ser um pouco confuso porque o prédio possui três entradas diferentes: a do número 241 na Avenida Prestes Maia, bem ao lado do estacionamento careiro, a do 118 na Rua Brigadeiro Tobias e a do 110 na Praça Pedro Lessa. A entrada que você deve procurar é a da Pedro Lessa, que já dá de cara com o elevador que leva ao Sampa Sky. Entrando pelas outras portas, você terá que caminhar um pouquinho pelo hall e, provavelmente, pedir informação para alguém.

Ao adentrar o edifício havia poucos indícios de que eu estaria prestes a visitar uma atração turística. Se no Farol Santander o “uau” começa na porta, quando já se vê de cara o magnífico lustre feito com nove mil peças de cristal, no Mirante do Vale o andar térreo é a perfeita tradução da décadence sem élégance. Construído entre 1960 e 1966, aos pés do Viaduto Santa Ifigênia e com vista para o Vale do Anhangabaú, o prédio de 171 metros de altura continua não passando despercebido por quem caminha pelo centrão, mas é inegável que seus dias de glória ficaram para trás.

Assinado pelo engenheiro Waldomiro Zarzur e pelo arquiteto Aron Kogan, o arranha-céu foi o mais alto do Brasil durante 48 anos, antes de ser desbancado pelo Órion Business & Health Complex, em Goiânia, que tem 192 metros de altura. Recentemente, ele também deixou de ser o mais alto de São Paulo – um prédio residencial que será inaugurado em 2022 no Tatuapé é o novo detentor do título. O Mirante também não é mais um prédio exclusivamente comercial e agora abriga moradores – algumas unidades podem ser alugadas pelo Airbnb.

Dentro do elevador old school, os botões desgastados não passam uma boa impressão, mas o adesivo do Sampa Sky colado bem ao lado do número 42 não deixa dúvidas de onde devo apertar (o prédio tem ao todo 51 andares). As portas se abrem para um hall com um jardim vertical e um letreiro em neon indicando o caminho até as catracas. Cheguei.

Vertigem e selfies

O Sampa Sky foi inspirado no famoso SkyDeck de Chicago, que fica no 103º andar do edifício Willis Tower. Apesar de estar consideravelmente mais próxima do chão, a versão brasileira também entrega a sensação de vertigem em suas duas cabines de vidro retráteis, que se debruçam para fora dos janelões. Senti certo receio na primeira vez que pisei no deck com vista para a Zona Leste, principalmente por causa dos carros que passam sem parar na Avenida Prestes Maia, bem debaixo dos meus pés. Mas, passada essa primeira tonturazinha, o povo até deita de bruços no chão de vidro para tirar fotos que certamente renderão chuvas de likes.

Eu não cheguei a tanto, mesmo sabendo que quatro camadas de vidro, capazes de sustentar mais de 30 toneladas, me separavam da avenida. Mas “arrisquei” a tirar uma foto sentada na outra plataforma, com vista para o Vale do Anhangabaú, onde o vai-e-vem dos pedestres no Viaduto Santa Ifigênia causa menos vertigem. Foi até divertido ver a galera soltando a criatividade nas poses enquanto eu esperava a minha vez na fila para pisar no deck. Para que não haja esperas intermináveis, o Sampa Sky limitou o tempo de permanência no deck para uns três minutos. Quem quiser ficar mais, basta voltar para o fim da fila.

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Os janelões ao lado dos decks servem para observar o skyline com mais calma. Localizar o Farol Santander e o Prédio Martinelli é tarefa fácil: a visão bem próxima desses dois prédios-ícones de São Paulo é inclusive um dos grandes chamarizes do Sampa Sky. Mas fazem falta painéis indicativos próximos aos vidros que ajudem a situar onde estão os demais bairros e atrações da pauliceia. O próprio Mosteiro de São Bento, belíssimo visto de cima e bem ali embaixo, pode passar despercebido. 

Fora um café, não há outros atrativos na porção do andar que está aberta ao público. A proposta é que, até o ano que vem, a outra metade do andar seja incorporada ao Sampa Sky, que passará então de 700m² para 1.500m². Também estão no horizonte novas frentes de negócio, como a locação do espaço para eventos e a inauguração de um bar.

Os ingressos, que no primeiro mês de operação estão sendo vendidos ao preço promocional de R$ 30, estão esgotados até o final de setembro. Também não há mais entradas para finais de semana até meados de outubro. “A população abraçou a nossa missão de ser um ponto turístico da cidade. Acho que temos um papel muito bacana nesse processo de retomada do turismo depois de um ano e meio tão sofrido”, comentou comigo o sócio Alessandro Martineli.

O Sampa Sky funcionará de terça à sexta das 11h às 19h, aos sábados das 9h às 19h e aos domingos das 9h às 16h. As visitas acontecem com dia e hora marcada e a compra dos ingressos deve ser feita com antecedência pelo Sympla. Por ora, a atração está com um limite de 40% da capacidade.

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    Foi postado primeiro em viagemeturismo.abril.com.br

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