Reid’s Palace: um clássico da hotelaria na Ilha da Madeira

Vista aérea do hotel Reid's Palace, com o palacete rosa, duas piscinas e o jardim botânico debruçados sobre o mar
O icônico palacete rosa debruçado sobre o mar: desde 1891 Bruno Barata/Reprodução

Cheguei no quarto depois do jantar e, junto com a abertura da cama, as mil almofadas brancas e colchas bordadas, uma sacola em cima da mesinha de centro chamou a atenção. Dentro, dois casacos novos e quentinhos e um bilhete que informava que, a despeito de estarmos praticamente no verão, as temperaturas podiam se aproximar do zero na manhã seguinte. 

Quarto do hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira, com detalhe da cama com travesseiros, edredons e a cabeceira azul florida
O quarto: detalhes floridos e tons pastel Bruno Barata/Reprodução

O programa era um dos que eu mais ansiava: o nascer do sol no Pico do Areeiro. Um Land Rover nos aguardaria na recepção antes das 6h da manhã e, pouco mais de meia hora depois, estaríamos a mais de 1800 metros de altitude para ver os primeiros raios acima das nuvens. Depois, um piquenique seria montado num cenário de sonhos com direito a mordomo, champagne, croissants.

Duas piscinas, uma árvore e o mar no hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira
As piscinas ao amanhecer: oásis de águas aquecidas Bruno Barata/Reprodução

Choveu, nublou e o sol não deu as caras. O piquenique quase foi arrasado pelo vendaval, a neblina tomou conta de tudo e a Polaroid que seria a melhor lembrança daquele momento ficou cinza e sem contornos. Mas isso foi só um detalhe. No Reid’s Palace, mesmo quando dá muito errado dá certo. E aquele dia que começou com a fúria da natureza ainda teve um chá da tarde delicioso de frente para o mar (com sol!), um jantar com lindas vistas do Funchal e um delicado vinho Madeira para fechar o dia nas espreguiçadeiras do quarto.

Mesa posta com o café da manhã e duas cadeiras na varanda de um quarto do hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira, com vista do mar
Café da manhã na varanda do quarto: pro dia nascer feliz Bruno Barata/Reprodução

Idealizado pelo fazendeiro escocês William Reid no final do século 19, o Reid’s Palace abriu as portas em 1891. Antes de pertencer à rede Belmond, a mesma do Copacabana Palace, que desde 2019 é do grupo LVMH (que detém, entre outras marcas, a Louis Vuitton), o icônico palacete rosa erguido no alto do promontório já foi propriedade da família Blandy (a mesma por trás da vinícola mais emblemática da ilha). Em seus salões de baile, o escritor irlandês George Bernard Shaw aprendeu a dançar tango. Em suas suítes, Winston Churchill, ex-primeiro ministro inglês, escreveu, pintou e se divertiu. Tudo isso hoje decora as paredes do hotel. 

  • Mesa de café da manhã à beira da piscina do hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira, com duas cadeiras e espreguiçadeiras ao longe
    Café da manhã à beira da piscina Bruno Barata/Reprodução

    Cercado por seu próprio jardim botânico, plantado mais de um século atrás com espécies subtropicais dos quatro cantos do mundo, o Reid’s desce o penhasco desenhando lounges de espreguiçadeiras que funcionam como belos mirantes até encontrar o mar de cor azul petróleo lá embaixo. Para entrar no mar, dá para escolher: uma escada ou um trampolim?

    Mulher caminha pelo jardim do hotel Reid's Palace, na Ilha da madeira, entre plantas verdes, flores roxas e árvores
    O jardim botânico particular do hotel: mais de 100 anos e espécies subtropicais dos quatro cantos Bruno Barata/Reprodução

    O dia começa devagar à beira-mar. O café da manhã pode ser servido no quarto ou na piscina. Depois, poucos programas superam o mergulho na piscina ao ar livre, aquecida na medida. A lista do que fazer sem se afastar do icônico casarão rosa inclui massagens e tratamentos no spa, partidas de tênis, caminhadas pelo jardim. Fora dele, experiências desenhadas nos mínimos detalhes – como o nascer do sol com piquenique, um passeio de iate, um jantar sobre as rochas.

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    Beira-mar do hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira, com pedras e uma plataforma com escada e trampolim
    O acesso ao mar: escada ou trampolim? Bruno Barata/Reprodução

    Esculpido à medida dos tempos idos, o Reid’s é um clássico que se faz de classiquices. No check-in, um elegante cartão assinado pelo general manager, bien sûr, convida para um coquetel no bar. O chá da tarde poderia ser na Inglaterra. E os quartos, decorados com temas floridos (alguns papéis de parede são pintados à mão) e em tons pastel, nos embalam em uma viagem no tempo.

    Xícara de chá e prato de doces em cima de uma mesa com vista do mar no hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira
    O clássico chá da tarde no terraço: very british Bruno Barata/Reprodução

    A gastronomia é papo sério no hotel. Não bastasse o famoso Cipriani, italiano que é marca registrada da rede Belmond (o atum em crosta de pistache com pêras ao vinho é delicioso), o William, capitaneado pelo chef Luís Pestana, com supervisão de Joachim Koerper, do Eleven de Lisboa, é dono de uma estrela Michelin e tem luz própria (infelizmente – e literalmente – apagada durante a minha visita, quando estava de portas fechadas por causa da pandemia).

    Prato com pedaços de atom em crosta de pistache, fatias de pêra e folhas verdes no restaurante Cipriani, do hotel Reid's Palace, na Ilha da Madeira
    Atum em crosta de pistache no restaurante Cipriani: sotaque italiano Bruno Barata/Reprodução

    Até os animais de estimação têm vez no mundo gourmet do hotel – a brochura temática descreve que, por uma diária de 35 euros, os lulus recebem uma caminha, potes de água e três refeições diárias preparadas pelo chef executivo.

    Anote aí: as diárias custam desde € 260, com café da manhã.  Faça a sua reserva aqui. 

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